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Atletas da paracanoagem do Imel recebem visita de modelo que é exemplo de superação

Atletas da paracanoagem do Imel recebem visita de modelo que é exemplo de superação

Após perder uma perna em um acidente, Paola Antonini transformou sua

história em exemplo para inspirar as pessoas

Dentro do esporte encontramos casos de superação e exemplos que

servem como combustível para quem está começando a praticar alguma

modalidade. Nesta terça-feira (23), os atletas da paracanoagem do Instituto

Meninos do Lago (Imel), iniciativa que recebe o apoio da Itaipu Binacional

por meio da Divisão de Educação Ambiental, puderam ver de perto uma dessas

histórias.

Durante o treino, eles receberam a visita da modelo Paola Antonini,

que utiliza uma prótese mecânica no lugar da perna esquerda. Ela veio a

convite do namorado Pedro Gonçalves, o Pepê, canoísta que treina no Canal

Itaipu. Assim como os atletas do projeto, ela encontrou no esporte uma

ferramenta para aceitação e iniciou um novo estilo de vida.

Hoje, aos 25 anos, Paola fala com tranquilidade sobre o acidente

automobilístico que sofreu em 2014. A situação que poderia ser gatilho para

uma depressão, como ela diz, serviu para enxergar o mundo de uma maneira

diferente. Além de modelo e atleta amadora, ela também é digital influencer

(com mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram), além de youtuber,

colunista em uma revista de moda e apresentadora de TV.

“Um projeto como esse aqui na Itaipu é essencial. Sabemos que após a

pessoa sofrer um acidente, ou até mesmo nascer com alguma deficiência, é

necessário que ela tenha um apoio para se desenvolver, e o esporte pode ser

o responsável por abrir portas para uma nova vida. Aqui no Meninos do Lago,

essas pessoas estão sendo inseridas em um esporte tão lindo, praticado ao

ar livre, que faz bem para o corpo e, principalmente, para a mente”.

Um dos fatores que ajudaram Paola a encarar essa nova vida foi a

aceitação de sua condição, além do entendimento de que uma prótese não iria

impedi-la de realizar seus objetivos. “Eu sempre gostei de atividades

físicas. Após meu acidente, decidi viver ao máximo cada dia da minha vida,

tentar coisas novas. E o esporte veio junto com tudo isso. Quando me

falavam que algo iria ser difícil, eu ficava ainda mais motivada a

conseguir. Então, todas as minhas ações são voltadas para fazer com que as

pessoas não tenham medo de viver a vida”.

Fonte de inspiração

A visita e a história de Paola deram um novo gás para os treinos da

equipe nesta terça-feira (23), conta o fisioterapeuta Guto Mazine,

coordenador do projeto de paracanoagem. A nova modalidade esportiva do Imel

começou em abril e já tem 16 atletas - dois deles já inscritos na

Confederação Brasileira de Canoagem.

Um deles é o Waner Xavier. Quando tinha 24 anos, uma bala perdida o

deixou paraplégico. Mas ele também não quis se acomodar e decidiu se tornar

um atleta. Aos 33, já praticou basquete adaptado em cadeira de rodas e, há

pouco mais de um ano, decidiu rumar para a paracanoagem. Remando, ele

chegou ao Campeonato Brasileiro de Paracanoagem, disputado em Curitiba, no

ano passado.

“Eu me encontrei de verdade na canoagem. Enquanto remo, sinto uma

sensação de liberdade muito boa. O campeonato em Curitiba foi ótimo para

conhecer melhor a modalidade, entender o barco e, com os treinos aqui,

sinto que podemos conseguir novas marcas”, relata Waner.

Outra integrante do projeto, a atleta Alini Barth, conta que vê Paola

como um símbolo de autoestima. Com 27 anos, Alini tem na canoagem sua

primeira experiência com o esporte desde a lesão medular, causada por um

acidente há dez anos.

“Eu conheci o Guto há um ano e começamos a praticar a canoagem em um

pesque e pague de Santa Terezinha. Foi o meu primeiro contato com o remo e,

logo de cara, já me apaixonei. Aqui eu me sinto livre, me distraio, faço

exercícios e, assim como a Paola, me supero todos os dias. Quero continuar

treinando bastante e realizar meu sonho de competir entre os

profissionais”, conta Alini.

Paracanoagem Imel

Segundo Guto Mazine, o principal foco do projeto é, justamente, a

recuperação da autoestima dos integrantes. “Nesses primeiros meses estamos

em fase de adaptação. Nós queremos tirar essa galera de casa, trazer para a

água e fazer a inclusão do paradesporto na região”, ressalta Guto.

Por enquanto o projeto atende apenas atletas maiores de 18 anos. O

próximo passo é ampliar a oferta de vagas para adolescentes a partir dos 14

anos. “Não queremos apenas formar atletas para competições, mas sim,

torná-los independentes e confiantes, ou seja, quanto mais novos eles

começarem, melhores serão os resultados. Eu vejo que eles estão se

apaixonando pelo esporte e, em um futuro não muito distante, teremos um

grupo ainda mais forte e preparado”.

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