Na Boca do Povo - Seu Telejornal Online
MENU

Deputado petista acha brecha no sistema para pagar assessor

Deputado petista acha brecha no sistema para pagar assessor

Diante da proibição de contratar pessoas físicas com uso de cotas, o deputado Vander Loubet (PT-MS), réu na Lava Jato, achou uma brecha para usar os recursos do sistema na remuneração de um de seus assessores. Em 2016, Eder Florencio Yanaguita recebia R$ 6 mil como servidor comissionado do gabinete do parlamentar. Em abril daquele ano, ele criou uma empresa e, no mês seguinte, começou a receber R$ 12 mil da cota do deputado. Hoje, esse valor chega a R$ 15,7 mil por mês. Único funcionário da empresa, Yanaguita não é mais servidor comissionado, mas continua atuando como assessor do parlamentar.

Notas sequenciais apontam a atuação exclusiva de Yanaguita no gabinete do deputado, com pagamentos que chegam a R$ 574 mil em três anos. Das 36 notas emitidas pela empresa do assessor nos últimos dois anos, 35 foram para comprovar prestação de serviços para o gabinete de Loubet. Além disso, os e-mails que Yanaguita envia como assessor de imprensa são assinados com o seu nome e não de sua empresa. Os créditos das fotos de divulgação que faz também têm assinatura pessoal.

Procurado, Yanaguita se apresentou como assessor de imprensa de Loubet e disse que passou de servidor a empresário após acordo com o deputado. "Foi uma negociação salarial. Eu queria um aumento. Como secretário parlamentar, ele não tinha condições de me dar aumento. Fizemos um acordo: eu abriria mão de ser secretário parlamentar e poderia abrir uma pessoa jurídica para receber pagamento pelos meus serviços."

Yanaguita reconheceu que, na prática, desempenha função de funcionário do gabinete. "Só não tenho exclusividade. Tanto é que presto serviços para outras empresas. Mas o acordo é ser pessoa jurídica e prestar serviço para o mandato como pessoa jurídica e não nomeado no gabinete." Depois, Yanaguita afirmou que não é funcionário e possui outros dois clientes, deputados estaduais. "Ele (Loubet) é meu cliente. A relação não é de patrão e funcionário. É de cliente e contratante."

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Loubet disse que não há ilegalidade na contratação dos serviços de assessoria de imprensa e negou que Yanaguita seja funcionário ou atue em seu gabinete. "O titular da empresa que atende ao meu mandato é um ex-funcionário, que foi secretário parlamentar em meu gabinete para a função de assessor de imprensa. Essa relação não existe mais."

O gabinete de Loubet dispõe de 25 servidores comissionados. Em geral, na Câmara, assessores de imprensa estão incluídos no quadro de funcionários. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

X